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Angola na
Organização das Nações Unidas

1976-2026

Meio século de compromisso com a paz, a cooperação
e o desenvolvimento entre os povos

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Discurso do Presidente da República de Angola, Sua Excelência, João Manuel Gonçalves Lourenço, na 80ª sessão da Assembleia Geral da ONU

Governo 28-10-2026
ANGOLA DEFENDE FIM DO EMBARGO A CUBA E RENOVAÇÃO DO DIÁLOGO COM OS ESTADOS UNIDOS

Nova Iorque, 27 de Outubro de 2026 — Angola reiterou o seu apelo ao levantamento imediato e incondicional do embargo económico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América a Cuba e defendeu a renovação do diálogo entre os dois países, com vista à normalização progressiva das suas relações.

A posição foi expressa por Sua Excelência o Embaixador Francisco José da Cruz, Representante Permanente de Angola junto das Nações Unidas, durante o debate da Assembleia Geral sobre a necessidade de pôr fim ao embargo.

O diplomata manifestou profunda preocupação com as consequências humanitárias e socioeconómicas das restrições, em particular o seu impacto no acesso da população cubana a bens essenciais, medicamentos, energia e tecnologia.

Sublinhou que o embargo compromete os esforços de Cuba para alcançar os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável e limita o comércio e a cooperação internacionais legítimos.

O Embaixador Francisco José da Cruz recordou o apelo formulado por Sua Excelência João Manuel Gonçalves Lourenço, Presidente da República, durante o Debate Geral da 81.ª Sessão da Assembleia Geral, ao considerar o embargo desumano, injusto e contrário aos princípios e normas do direito internacional.

Destacou os laços históricos de solidariedade entre Angola e Cuba, recordando a contribuição cubana para a libertação da África Austral, incluindo os acontecimentos que conduziram aos Acordos de Nova Iorque, à independência da Namíbia e ao desmantelamento do apartheid na África do Sul. Reconheceu também o apoio prestado por Cuba a comunidades africanas nas áreas da saúde, educação e desenvolvimento humano.

O Representante Permanente de Angola junto das Nações Unidas reafirmou a oposição do país ao embargo e o seu apoio à remoção de Cuba da lista norte-americana de países que patrocinam o terrorismo.

Neste contexto, incentivou os Estados Unidos e Cuba a retomarem um diálogo directo e construtivo, assente na igualdade soberana, no respeito mútuo e na não interferência.

Encorajou igualmente os dois países a adoptarem medidas de confiança que facilitem o acesso humanitário e as transacções comerciais legítimas, bem como a identificarem oportunidades de cooperação em áreas como a saúde pública, a educação, a energia, a preparação para desastres e o desenvolvimento sustentável.

Ao anunciar que Angola votará a favor do projecto de resolução sobre o fim do embargo, o Embaixador reafirmou a convicção de que o diálogo e o compromisso político são instrumentos essenciais para superar divergências e promover a coexistência pacífica.

Fonte: MPAONU
Governo 21-10-2026
DISCURSO INTEGRAL DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA DE ANGOLA, JOÃO LOURENÇO, NO FÓRUM MUNDIAL DA ALIMENTAÇÃO

ROMA, 12 OUTUBRO 2026
-Sua Majestade Letsie III, Rei do Lesotho,
-Sua Excelência Luis Abinader, Presidente da República Dominicana,
-Sua Excelência Delcy Rodrígues Gómez, Presidente em Exercício da República Bolivariana da Venezuela,
-Sua Excelência Maria José Pinto, Vice-Presidente do Equador,
-Sua Excelência Ellen Johnson Sirleaf, Antiga Presidente da República da Libéria,
-Excelentíssimo Senhor Qu Chu Dongyu, Director Geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura,
-Representantes das Associações Juvenis,
-Excelências,
-Minhas Senhoras, Meus Senhores,
Permitam-me agradecer ao Sr. Chu Dongyu, Director Geral da FAO, pelo convite que me endereçou e pela oportunidade que disso decorre, de poder contribuir ao debate deste ano, cujo lema “Inovar Hoje para Alimentar Amanhã” encerra uma alta transversalidade de disciplinas e apela à responsabilidades que são simultaneamente nacionais e globais.
Aceitei o convite para participar deste Fórum Mundial da Alimentação de 2026 para, juntamente com Vossas Excelências, nesta bela cidade de Roma, expressar a minha convicção de que o tema que hoje abordamos aqui vai de encontro aos grandes desafios do nosso tempo.
O Director Geral lançou esta iniciativa desde o ano de 2021, como uma plataforma voltada para a reflexão sobre os caminhos a seguir para assegurarmos que a transformação dos sistemas alimentares acompanhe as profundas mudanças económicas, sociais, ambientais e tecnológicas da nossa era.
-Minhas Senhoras, Meus Senhores,​
Olhando para o mundo dos nossos dias, observamos com inquietação os paradoxos que o caracterizam, sobretudo porque a abundância de alimentos disponível nos países desenvolvidos em virtude da sua grande capacidade tecnológica e produtiva contrasta dolorosamente com a dificuldade de acesso a alimentos de milhões de pessoas em vastas regiões do nosso planeta, que continuam confrontadas com a fome e a má nutrição.
Estamos diante de uma evidência que exige de todos nós uma atitude capaz de ajudar a pôr fim a este flagelo, que do ponto de vista moral nos impele a agir com urgência para passarmos da simples constatação dos factos para iniciativas que devem ir desde a capacitação técnica, passando pela transferência de tecnologias, até à mobilização de recursos destinados ao investimento no sector agrícola dos países menos desenvolvidos.
Além das limitações técnicas e outras, os problemas da fome devem-se também a um conjunto de outros factores ligados ao eclodir cíclico de conflitos armados com consequências negativas directas sobre a produção, que perturbam as cadeias logísticas globais de abastecimento e geram efeitos humanitários desastrosos e a ocorrência de alterações climáticas cada vez mais violentas, que trazem consigo as tempestades, chuvas torrenciais, cheias, inundações, secas severas, a desertificação e o aumento de pragas.
A segurança alimentar é um objectivo e uma prioridade que só se conseguirá concretizar com benefícios para todos, no quadro de um esforço conjugado em que, em função das responsabilidades e valências específicas de cada um, devem intervir governos, o sector privado, instituições científicas, organizações não-governamentais, a sociedade civil e outras entidades que, no seu conjunto, garantem a abordagem transversal desta importante questão e a possibilidade de uma solução integrada do problema.
É urgente trabalharmos no sentido de aperfeiçoar o modelo de cooperação internacional, que se deve orientar no sentido de abandonar a lógica assente na dominação de uns sobre outros e na obtenção de vantagens que ignoram interesses de terceiros, factos que geram tensões e inviabilizam o diálogo e a concertação necessárias à formulação e à implementação de estratégias que garantam a paz, a estabilidade e a segurança mundial, em cujo âmbito conseguiremos promover e desenvolver mais facilmente as nossas economias e acabar ou reduzir consideravelmente a fome e a miséria em diferentes nações e regiões do nosso planeta.
A erradicação do flagelo da fome no mundo exige respostas colectivas e, por esta razão, considero que este Fórum Mundial da Alimentação é a plataforma adequada para se pensar numa arquitectura de segurança alimentar que tenha em conta os factores de natureza política, financeira, técnica, científica e outros que intervêm nas capacidades de produção agrícola e no seu melhoramento em todo o mundo.
Isto coloca-nos diante da percepção de que a inovação deve ser vista de uma forma abrangente e não circunscrita apenas à sua dimensão tecnológica.
-Excelências,
África possui um enorme e vasto potencial de recursos para desenvolver uma agricultura florescente. No entanto, confronta-se com o problema da fome e da desnutrição, o que não é, a todos os títulos, aceitável, mas impõe-se que se reconheça que as realidades que se observam no continente são o reflexo da combinação dos vários factores que já enumerei, de entre os quais os conflitos armados, os problemas que decorrem das alterações climáticas e da necessidade da capacitação das pessoas para o fomento da agricultura familiar, que é, na verdade, a espinha dorsal do nosso sistema de produção alimentar.
Este é o diagnóstico dos problemas que ainda enfrentamos em África neste sector e, por isso, impõe-se-nos agora o desafio de reverter este quadro com políticas realistas concebidas com base nas nossas capacidades de utilização dos meios técnicos e tecnológicos disponíveis, no melhoramento das práticas assentes sobre os conhecimentos tradicionais e na formação das pessoas a todos os níveis.
África tem o potencial para ser o celeiro do mundo, dispõe de abundantes terras aráveis, imensos cursos de água entre rios e grandes lagos, no geral bom clima, sol.
Precisamos de investidores com recursos, tecnologia e transmissão de conhecimento aos nossos jovens para aumentarmos a produtividade por hectare, a qualidade do produto colhido e o volume global de produção, aumentar as exportações de produtos agrícolas e pecuários, contribuindo mais para a formação do Produto Interno Produto dos nossos países.
Em Angola concebemos e estamos a executar um ambicioso Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul do país (PCESSA), que abrange as províncias do Cunene, Huíla e Namibe, orçado em 4.2 mil milhões de dólares americanos, já parcialmente executado e que vai contribuir significativamente no combate contra a fome e a pobreza.
O Programa compreende a construção de albufeiras para armazenar milhões de metros cúbicos de água transferida do rio Cunene e centenas de quilómetros de canais a céu aberto para servir as pessoas e desenvolver a agricultura e pecuária em qualquer estação climática do ano.
Para o salto em frente que pretendemos dar na agropecuária em Angola, temos contado com uma forte contribuição da FAO, com a qual desenvolvemos uma cooperação profícua.
Esta cooperação tem contribuído para a definição de prioridades, cuja execução já mostrou resultados positivos que nos encorajam a prosseguir, por nos ter ajudado a alcançar um bom resultado no esforço que desenvolvemos de aproximar zonas de produção, centros de transformação alimentar e mercados.
Quero também dar destaque neste contexto à Iniciativa Hand-in-Hand e à Iniciativa AgroCorredores, por constituírem instrumentos relevantes para a promoção de oportunidades de investimento, de desenvolvimento do agronegócio e de aumento da competitividade do sector agrícola nacional.
Este processo só é funcional se conseguirmos criar corredores económicos que permitam a actividade comercial e a circulação de pessoas e bens com a fluidez que estamos a projectar para o Corredor do Lobito, que não tem apenas uma dimensão logística, pois pode estimular a criação de indústrias, novas cadeias regionais de valor ligando o potencial produtivo de diferentes países aos mercados regionais e internacionais.
O Corredor do Lobito é uma plataforma de oportunidades capaz de beneficiar as populações e de contribuir para uma maior integração económica do continente, em articulação com os mecanismos africanos existentes, de que destaco a Zona de Livre Comércio Continental Africana, que representa um vasto mercado de aproximadamente 1 bilião e meio de consumidores.
África tem objectivos claramente definidos na Agenda 2063 de desenvolvimento continental, no âmbito da qual as prioridades de maior destaque consistem na construção de infra-estruturas que intervêm muito directamente em todo o processo de criação de factores de desenvolvimento, no âmbito dos quais a agricultura assume uma importância vital.
Não temos alternativa a este caminho que temos vindo a percorrer, conscientes de que os obstáculos que vimos transpondo, resultantes de factores imprevisíveis como a seca, as inundações e outros, nos obrigam a um esforço de adaptação com recurso a tecnologias, técnicas e conhecimentos científicos que reforcem a resiliência dos sistemas alimentares globais face às intempéries.
A FAO tem, neste contexto, um papel fundamental a desempenhar, não apenas como um espaço de concertação política, mas também como plataforma para aproximar governos, o mundo académico e científico, as instituições financeiras, o sector privado e a sociedade civil na abordagem e na busca de soluções para estes problemas.
-Excelências,
Este Fórum, que tem o objectivo de providenciar uma plataforma de interacção entre os vários protagonistas dos sistemas alimentares, encerra uma abrangência que inclui o Fórum da Ciência e da Inovação e o Fórum Global da Acção Juvenil, duas iniciativas que, de forma conjugada, vão desempenhar um importante papel na concretização do lema “Inovar Hoje para Alimentar Amanhã”.
Esta edição do Fórum merece da nossa parte uma atenção muito especial por ter a particularidade de dar uma grande ênfase à investigação como meio de se promover um progresso sustentável mais equitativo e eficiente.
Também é importante para Angola, por nos dar a oportunidade de dar a conhecer aos presentes e ao mundo a nossa decisão, já concertada com a União Africana, de apresentar a engenheira angolana como concorrente ao lugar de Director Geral da FAO.
Trata-se da Embaixadora Josefa Leonel Correia Sacko, que desempenhou por três anos as funções de Secretária-Geral da Organização Inter-Africana do Café e as funções de Comissária da União Africana para Agricultura, Desenvolvimento Rural, Economia Azul e Ambiente Sustentável, de 2017 a 2024.
Por acreditarmos que, caso venha a assumir a responsabilidade de estar à frente dos destinos da FAO, fará um bom trabalho não apenas para o continente africano mas para a segurança alimentar à escala global, pedimos o apoio de todos para sua eleição.
Faço votos de que, no fim dos trabalhos deste Fórum, cheguemos a resultados que ajudem a mudar, de forma prática, o actual panorama mundial da produção de alimentos que nos conduza à segurança alimentar e a uma prosperidade partilhada à escala global.
Muito obrigado pela vossa atenção.

Fonte: CIPRA
Governo 13-10-2026
ANGOLA DEFENDE VALORIZAÇÃO DOS ACTIVOS ESTRATÉGICOS DE ÁFRICA E REFORÇO DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Nova Iorque, 12 de Outubro de 2026 — O Representante Permanente de Angola junto das Nações Unidas, Sua Excelência o Embaixador Francisco José da Cruz, defendeu, esta segunda-feira, na sede da ONU, o reforço do financiamento ao desenvolvimento, a valorização dos activos estratégicos africanos e o fortalecimento das instituições nacionais para promover a paz duradoura, a integração regional e o desenvolvimento sustentável em África.

O diplomata interveio no debate conjunto da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre o desenvolvimento de África, ocasião em que reafirmou o compromisso de Angola com a implementação da Agenda 2063 da União Africana e da Agenda 2030 das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável.

Na sua intervenção, sublinhou a importância da liderança africana, de instituições eficazes e de parcerias estratégicas alinhadas com as prioridades do continente.

Por ocasião do 25.º aniversário da Nova Parceria para o Desenvolvimento de África (NEPAD), o Embaixador Francisco José da Cruz destacou a necessidade de reforçar a capacidade dos Estados africanos para gerir os seus activos estratégicos, reter o valor económico gerado pelos recursos nacionais e canalizar as receitas para investimentos que promovam o bem-estar das populações.

Reiterou, igualmente, o apoio de Angola a um financiamento previsível e sustentável da Agência de Desenvolvimento da União Africana (AUDA-NEPAD), incluindo através de contribuições africanas e de parcerias internacionais alinhadas com as prioridades continentais.

No domínio da integração regional, destacou o Corredor do Lobito como um exemplo concreto de promoção da conectividade, do desenvolvimento de cadeias de valor regionais, da industrialização e da implementação da Zona de Comércio Livre Continental Africana.

O diplomata salientou ainda que a paz e o desenvolvimento sustentável são dimensões interdependentes, defendendo o reforço da mobilização de recursos internos, o combate aos fluxos financeiros ilícitos e a promoção de uma governação transparente e inclusiva dos recursos fundiários, minerais e hídricos.

Apelou ao aumento do financiamento ao desenvolvimento e do investimento em infra-estruturas, de modo a assegurar que as receitas provenientes dos recursos estratégicos contribuam efectivamente para a educação, a saúde e a criação de emprego, com particular atenção às mulheres e aos jovens.

Ao concluir a sua intervenção, o Embaixador Francisco José da Cruz reafirmou que a transformação económica e social de África exige soluções lideradas pelos próprios africanos, instituições nacionais robustas e uma cooperação internacional sustentada, capazes de converter os recursos estratégicos do continente em prosperidade partilhada e paz duradoura.
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REITERADO COMPROMISSO COM O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL**

Ainda no decurso dos trabalhos da Assembleia Geral das Nações Unidas, o Representante Permanente de Angola reafirmou o compromisso do país com a implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, defendendo o reforço do financiamento internacional, a transferência de tecnologia e o investimento em infra-estruturas resilientes como prioridades para acelerar o cumprimento dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Na ocasião, destacou que este deve traduzir-se em resultados concretos na vida das populações, nomeadamente através do reforço da segurança alimentar, do acesso fiável à água e à energia, da promoção do emprego digno e da criação de oportunidades económicas inclusivas.

Enfatizou a importância de promover padrões sustentáveis de consumo e produção, mediante a utilização eficiente dos recursos naturais, a redução das perdas alimentares, o desenvolvimento de soluções de economia circular e o fortalecimento das cadeias de valor locais, contribuindo para a industrialização e a diversificação económica.

No contexto nacional, o Embaixador Francisco José da Cruz destacou projectos estruturantes, como o Canal do Cafu e os projectos de abastecimento de água de Ndúe e Calucuve, que contribuem para o reforço da segurança hídrica, da resiliência agrícola e da melhoria das condições de vida das comunidades.

Foram igualmente salientados os investimentos em energia hidroeléctrica e solar, importantes para ampliar o acesso à energia, promover a sustentabilidade ambiental e impulsionar o desenvolvimento económico.

Advogou ainda o reforço das parcerias internacionais, com particular incidência no acesso a financiamento previsível e em condições concessionais, na capacitação técnica, na transferência de tecnologia e na adaptação às alterações climáticas, salvaguardando a sustentabilidade da dívida dos países em desenvolvimento.

O Embaixador reconheceu a importância do Pacto para o Futuro e do Compromisso de Sevilha na mobilização de esforços e recursos para a concretização das prioridades globais de desenvolvimento.

Por fim, reiterou que, a quatro anos do horizonte de 2030, é fundamental transformar os compromissos internacionais em resultados mensuráveis, através de parcerias concretas que promovam o crescimento inclusivo, a sustentabilidade ambiental e a concretização do princípio de não deixar ninguém para trás

Fonte: MPAONU
Governo 07-10-2026
ANGOLA APONTA PRIORIDADES PARA REFORÇAR O COMBATE AO TERRORISMO INTERNACIONAL

Nova Iorque, 7 de Outubro de 2026 – Angola defendeu, esta terça-feira, 6, na sede das Nações Unidas, a necessidade de uma *resposta internacional mais coordenada, abrangente e sustentável ao terrorismo*, alertando para a expansão e crescente sofisticação das redes terroristas no continente africano.

A posição foi expressa pelo Representante Permanente de Angola junto das Nações Unidas, *Sua Excelência Embaixador Francisco José da Cruz*, durante o debate da Sexta Comissão da Assembleia Geral, dedicado ao tema “*Medidas para Eliminar o Terrorismo Internacional*”.

Na sua intervenção, o diplomata angolano reiterou a *condenação inequívoca de Angola ao terrorismo em todas as suas formas e manifestações*, sublinhando que nenhuma consideração política, ideológica, religiosa ou de outra natureza pode justificar actos terroristas.

O Embaixador Francisco José da Cruz manifestou *preocupação com a expansão das redes terroristas em várias regiões africanas*, particularmente no Sahel, na *Bacia do Lago Chade, no Corno de África, na região dos Grandes Lagos e em partes da África Austral*, destacando as ligações entre o terrorismo, o extremismo violento, o crime organizado transnacional, os fluxos financeiros ilícitos, o tráfico de armas e a exploração ilegal dos recursos naturais.

Neste contexto, recordou a *16.ª Sessão Extraordinária da Assembleia da União Africana sobre Terrorismo e Alterações Inconstitucionais de Governo*, realizada em Malabo, Guiné Equatorial, a 28 de Maio de 2022, por iniciativa do Presidente da República, *Sua Excelência João Manuel Gonçalves Lourenço*.

Destacou igualmente a *21.ª Sessão Extraordinária da Assembleia da União Africana*, realizada em Luanda, a 30 de Agosto de 2026, dedicada ao reforço dos mecanismos de prevenção e resolução de conflitos em África.

Segundo o diplomata, as conclusões de Malabo e Luanda evidenciam a necessidade de privilegiar *a prevenção dos conflitos, o fortalecimento das instituições do Estado e uma maior coordenação regional*, permitindo que África passe da gestão de crises para a prevenção e de respostas fragmentadas para uma acção regional coordenada.

No quadro da resposta colectiva ao terrorismo internacional, apontou cinco prioridades:
1. *Reforçar a cooperação operacional entre as Nações Unidas, a União Africana e as Comunidades Económicas Regionais*, particularmente nos domínios da partilha de informações, gestão de fronteiras e capacitação;
2. *Desmantelar as redes financeiras e logísticas que sustentam o terrorismo*, combatendo o financiamento do terrorismo, os fluxos financeiros ilícitos, o tráfico de armas, o crime organizado e a exploração ilegal dos recursos naturais;
3. *Colocar a prevenção no centro das estratégias de combate ao terrorismo*, articulando o alerta precoce com a acção precoce, a mediação, a consolidação da paz e o desenvolvimento;
4. *Reforçar a cooperação contra a utilização indevida das tecnologias emergentes, incluindo a inteligência artificial*, as comunicações encriptadas, as plataformas digitais e as novas tecnologias financeiras, paralelamente ao reforço da capacitação dos países em desenvolvimento;
5. *Garantir apoio previsível e sustentável aos Estados africanos* que enfrentam o terrorismo, reforçando as suas capacidades de prevenção e resposta.
A propósito desta última prioridade, o Representante Permanente de Angola junto das Nações Unidas reiterou o *apoio de Angola ao reforço da cooperação entre as Nações Unidas e a União Africana*, bem como à implementação efectiva da Resolução 2719 (2023) do Conselho de Segurança, em apoio às operações de manutenção da paz lideradas por África, quando aplicável e devidamente autorizadas.

Defendeu igualmente a conclusão das negociações sobre a Convenção Abrangente sobre o Terrorismo Internacional, apelando aos Estados-Membros para que demonstrem a vontade política necessária para ultrapassar as divergências pendentes e fortalecer o quadro jurídico internacional de combate ao terrorismo.

Sublinhou, por outro lado, que todas as medidas antiterroristas devem respeitar integralmente a Carta das Nações Unidas, o direito internacional, o direito internacional dos direitos humanos e, quando aplicável, o direito internacional humanitário.

Ao concluir a sua intervenção, o Embaixador Francisco José da Cruz reafirmou que o combate ao terrorismo não pode limitar-se às respostas de segurança, devendo ser acompanhado pelo *reforço das instituições, pela educação, pelo emprego, pela inclusão social e pelo desenvolvimento*.

Fonte: MPAONU
Governo 24-09-2026
Diplomata considera admissão de Angola na ONU momento de afirmação da soberania

Nova Iorque (Do enviado especial) - A admissão de Angola na ONU, a 1 de Dezembro de 1976, constituiu um momento decisivo para a afirmação internacional da soberania do Estado angolano e a sua plena integração no concerto das nações.

Esta constatação é do representante permanente de Angola junto das Nações Unidas, Francisco da Cruz, quando falava à imprensa angolana, esta terça-feira, em Nova Iorque, no lançamento das celebrações dos 50 anos da entrada do país na ONU, pouco mais de um ano depois da proclamação da independência nacional.

De acordo o diplomata, ao longo destas cinco décadas, Angola passou de um Estado recém- independente empenhado na consolidação da sua independência e da sua soberania para um país que participa activamente do sistema multilateral e procura contribuir para a paz a estabilidade o diálogo e o desenvolvimento, particularmente de África.

Destacou a presença de Angola no Conselho de Segurança nos períodos de 2002- 2003 e 2015, 2016, em que “emprestou a sua experiência enquanto país que passou por um período de conflito e soube encontrar formas de criar um ambiente de unidade nacional de estabilidade, uma experiência que continua a partilhar, sobretudo em África, na questão de prevenção, gestão e resolução de conflitos.

Realçou que Angola tem estado muito activa nas questões ligadas ao desenvolvimento, tentando contribuir para que haja as reformas necessárias a nível da governação global, para que os países, sobretudo do Sul Global, possam ter acesso a financiamentos em termos mais acessíveis, para promover o seu desenvolvimento, que possa rever a questão da dívida.

Ressaltou igualmente a presença do país no e Conselho dos Direitos Humanos e a participação activa nas questões ligadas às alterações climáticas, cujo efeitos se fazem sentir sobretudo na parte Sul, com a questão da seca.
Durante o encontro com os jornalistas, o embaixador defendeu a reforma das Nações Unidas, principalmente do Conselho de Segurança, para que a África tenha membros permanentes neste órgão.

Em relação a um regresso de Angola ao Conselho de Segurança, disse que dada a sua trajectória e experiência, bem como as responsabilidades a nível do continente e o que tem feito para a prevenção , gestão e mediação de conflitos, o país tem que marcar uma presença periódica nesse órgão.
“Estamos a trabalhar nesse sentido, tendo em conta o sistema de rotação que existe a nível do continente”, frisou.
Relativamente à eleição do próximo secretário-geral, disse que deve ser uma pessoa muito comprometida com a Carta das Nações Unidas, com o multiralismo e o direito internacional, que compreenda as posições de África, sobretudo no que diz respeito à reforma do Conselho de Segurança, e atento às questões de desenvolvimento no que diz respeito ao Sul Global.
Sobre as comemorações dos 50 anos de Angola na ONU, afirmou que se pretende recordar o percurso realizado, reconhecer o contributo das diferentes gerações da diplomacia angolana e sobretudo olhar para o futuro da presença da Angola nas Nações Unidas.
“As celebrações constituirão igualmente uma oportunidade para reafirmar o compromisso de Angola com a Carta das Nações Unidas o direito internacional, o multilateralismo, a solução pacífica dos conflitos e a cooperação entre os Estados”, afirmou .
Acrescentou que a mensagem que orientará as actividades será celebrar o passado, valorizar o percurso realizado e projectar os próximos 50 anos da presença da Angola no sistema multilateral.
O embaixador frisou que o programa foi concebido em torno de cinco objectivos principais, designadamente, celebrar 50 anos da presença da Angola nas Nações Unidas, valorizar o percurso diplomático do país e o seu contributo para a paz e a estabilidade, bem como reafirmar o compromisso com os princípios da Carta das Nações Unidas.
Outro eixo é apresentar a visão da Angola sobre o futuro do multilateralismo e da governação internacional e reforçar a visibilidade internacional do país e a sua capacidade de participação e influência no sistema multilateral. “As comemorações combinarão diplomacia política, diplomacia pública e diplomacia cultural, permitindo também apresentar à comunidade internacional a história, a cultura, a identidade e as transformações de Angola”, sublinhou.
Disse que o mais importante será a sessão comemorativa que reunir dirigentes das Nações Unidas, representantes dos Estadosmembros, responsáveis angolanos, diplomatas e antigos representantes permanentes de Angola, parceiros constitucionais, académicos, membros da comunidade angana e outros convidados.
Personalidades ligadas à história das relações entre a Angola e as Nações Unidas e convidados especiais também farão parte do evento, segundo Francisco da Cruz, frisando que será simultaneamente um momento de memória, reconhecimento e reflexão sobre o futuro, de acordo com o embaixador.
Nessa sessão, disse, o ministro das Relações Exteriores, Téte António, fará uma intervenção em que abordará os momentos do percurso da Angola, incluindo o significado da admissão do país nas Nações Unidas, a consolidação da soberania nacional, a contribuição da Angola para a transformação política da África Austral, a paz e a reconciliação nacional.
Salientou o ministro também vai falar da participação de Angola no Conselho de Segurança, a prevenção e mediação de conflitos, a defesa da Carta das Nações Unidas e do direito internacional, a reforma da governação global, a representação de África nas instituições internacionais, o desenvolvimento sustentável, os desafios actuais do sistema internacional e a visão do país para os próximos 50 anos.
Disse que o evento contará com uma selecção representativa da gastronomia angolana, música e elementos visuais que permitirão apresentar aspectos da diversidade cultural nacional, bem a divulgação de imagens de alguns destinos e paisagens de Angola e uma exposição histórica de fotografias, documentos, discursos, vídeos e outros materiais de arquivo reflectindo os principais períodos da relação entre Angola e as Nações Unidas.
De acordo com o diplomata, as celebrações vão igualmente abarcar a publicação de um livro intitulado Angola nas Nações Unidas - 50 anos de multilateralismo, 1976-2026, e incluindo uma homenagem póstuma a antigos ministros das Relações Exteriores e outras personalidades que marcaram a história da diplomacia angolana.

Fonte: ANGOP

novaiorqueonu.mirex.gov.ao Embaixador(a)

Francisco José da Cruz



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