Grupo Africano e União Europeia reforçam coordenação nas Nações Unidas
Luanda – Os representantes permanentes do Grupo Africano e da União Europeia acreditados junto da ONU, em Nova Iorque, reuniram-se quinta-feira, para reafirmar a importância estratégica da parceria de longa data entre os dois continentes.
O encontro, subordinado ao tema “Promover Juntos a Paz, a Prosperidade e a Dignidade Humana através da ONU e do Multilateralismo Eficaz”, enquadrou-se no seguimento da 7.ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da União Africana (UA) e da União Europeia (UE), realizada nos dias 24 e 25 de Novembro último, em Luanda.
A reunião visou reforçar a coordenação entre a UA e a UE nas Nações Unidas, com vista ao fortalecimento de um multilateralismo eficaz, assente no respeito pelo direito internacional e pela Carta da ONU, bem como impulsionar a implementação dos resultados da 7.ª Cimeira UA-UE no contexto das Nações Unidas, com enfoque na paz, combate ao terrorismo, governação e desenvolvimento.
Os embaixadores africanos e europeus reflectiram igualmente sobre o futuro do multilateralismo, incluindo a reforma institucional, a reforma do Conselho de Segurança e o reforço dos três pilares da ONU.
Analisaram, por outro lado, vias práticas de cooperação nos processos das Nações Unidas relacionados com a paz e segurança, consolidação da paz, financiamento para o desenvolvimento e governação global.
Ao intervir no encerramento, na qualidade de representante diplomático de Angola, país que exerce a presidência rotativa da União Africana, o embaixador Francisco José da Cruz destacou o alinhamento estratégico crescente entre as principais prioridades dos dois continentes, com realce para a Agenda 2063 da UA e as Prioridades Políticas da União Europeia.
O diplomata sublinhou progressos registados em diversas áreas, com destaque para o desenvolvimento sustentável, facilitação do comércio, investimento e capacitação, sobretudo de mulheres e jovens.
Referiu-se ainda sobre os avanços no domínio da paz e segurança, prevenção e gestão de conflitos, diversificação económica e integração regional, além da cooperação estreita no enfrentamento da pandemia da COVID-19 e dos desafios relacionados com as alterações climáticas.
Não obstante os progressos, defendeu a necessidade de esforços concertados para fazer face a desafios comuns, como a migração, a reforma da governação global, a arquitectura financeira internacional e a segurança alimentar.
Francisco José da Cruz reiterou que a reforma do Conselho de Segurança permanece um processo em aberto até à concretização de uma reforma completa, justa e transparente, que corrija a injustiça histórica contra África.
Para o efeito, frisou que “África deve ser tratada como um caso especial no processo de reforma da Governação Global Intergovernamental”.
O embaixador apelou igualmente ao reforço do trabalho conjunto no âmbito da Iniciativa ONU 80, com vista a tornar a organização mais eficaz, eficiente e responsável, reduzindo a fragmentação e a duplicação de funções.
Defendeu, por outro lado, a aceleração da implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e do Pacto para o Futuro, bem como o reforço de uma governação global inclusiva.
O diplomata reconheceu ainda as oportunidades existentes no comércio intra-africano, proporcionadas pela Área de Livre Comércio Continental Africana, na agricultura e no crescimento da população jovem do continente.
Sublinhou, igualmente, a necessidade de expandir a mobilidade e as trocas entre cidadãos dos dois continentes, assegurando uma migração segura, ordenada e mutuamente benéfica, assim como promover o empoderamento da juventude por via da educação, desenvolvimento de competências e empreendedorismo.
Durante a sua intervenção, o diplomata advogou também o reforço da acção climática, com destaque para o financiamento da adaptação e resiliência e o apoio à transição energética em África.ART