O Presidente da República defendeu, sábado,14 de Fevereiro, em Adis Abeba, Etiópia, investimentos significativos no sector da água e do saneamento que sejam capazes de trazer bons resultados ao continente.
João Lourenço partilhou a visão quando procedia à leitura do discurso de abertura da 39.ª Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana, subordinada ao tema “Assegurar a Disponibilidade Sustentável da Água e Sistemas de Saneamento Seguros para Alcançar os Objectivos da Agenda 2063”.
O estadista angolano alertou que os esforços desenvolvidos para a construção da "África que queremos" só serão alcançados de forma plena se forem feitos esses investimentos.
João Lourenço apelou aos pares para a necessidade de se trabalhar, arduamente, de modo que o acesso à água potável e ao saneamento não constitua apenas uma questão técnica, mas um compromisso político e moral para com as populações dos respectivos países.
O Presidente da República realçou que Angola assumiu a presidência em exercício da União Africana com a firme convicção de desenvolver iniciativas que contribuíssem para o cumprimento dos grandes objectivos constantes da Agenda 2063 da organização continental.
Entre as iniciativas, mencionou a operacionalização, de forma objectiva, da questão relativa à busca da justiça para os africanos e afrodescendentes, por meio de reparações, que foi o tema central adoptado pela União Africana em 2025.
A assunção dos destinos da organização continental, pela primeira vez na história, disse o Chefe de Estado, permitiu ao país contribuir, com o apoio dos Estados-membros para o progresso do que chamou de "nossa causa comum", na base dos valores partilhados, inspirados nos pais fundadores do Pan-africanismo.
Ao longo do mandato, João Lourenço disse que Angola procurou reforçar o papel da União Africana como plataforma de concertação política e de acção concreta, promovendo uma maior articulação entre os Estados-membros e as Comunidades Económicas Regionais.
"O desenvolvimento integral de África só será possível se não se deixar ninguém para trás", declarou o Presidente cessante da União Africana.
Oportunidade única para articular as estratégias de desenvolvimento
No âmbito da aplicação do "grande" objectivo centrado no tema da presidência, o Chefe de Estado referiu que Angola trabalhou de forma coordenada com a Comissão da União Africana, sobretudo na realização, em Luanda, da 3.ª Conferência sobre o Financiamento para o Desenvolvimento das Infra-estruturas em África, que teve lugar em Outubro de 2025.
João Lourenço fez saber que este evento, alinhado com o Fórum de Negócios EUA-África, realizado em Junho do mesmo ano, no quadro da aceleração do Segundo Plano Decenal de Implementação da Agenda 2063 para o período 2024-2033, foi uma oportunidade única para articular as estratégias de desenvolvimento nacionais, regionais e continentais, em conformidade com as ambições de crescimento, transformação e integração regional de África.
A Conferência sobre Infra-Estruturas e o Fórum de Negócios com os EUA, destacou o Presidente da República, conseguiu unir os principais parceiros de África em torno do cumprimento do que chamou de grande sonho de desenvolvimento do continente.
Sem revelar o montante, o Chefe de Estado avançou que estes eventos mobilizaram importantes recursos financeiros para investir em sectores como a saúde, o agro-negócio e o turismo.
Acrescentou que os recursos vão ser destinados, também, para a transformação digital, corredores económicos integrados, redes ferroviárias, auto-estradas transnacionais, para o mercado único africano de electricidade e para o desenvolvimento do Plano Director para a Aviação Africana.
Explicou que este projecto "emblemático" da Agenda 2063 da União Africana tem o potencial de tornar o continente mais forte, num mundo marcado por uma crescente polarização, contribuindo, assim, para a promoção de uma integração significativa, que continua a ser um dos principais pilares da acção colectiva.
O Chefe de Estado disse ser com o objectivo de tirar o continente africano da posição de expectador e colocá-lo como actor central da transformação do mundo, para a preservação dos seus interesses estratégicos estruturantes e existenciais que participou, em nome do continente, na Cimeira do G20, na Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento Africano- TICAD, na Cimeira União Europeia-União Africana, na 4.ª Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento em Sevilha, Espanha, assim como na 80.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque.
O Presidente da República deu a conhecer que a presidência angolana dedicou, também, uma atenção particular ao funcionamento interno da União Africana, do ponto de vista técnico, legal, administrativo e organizacional.
Fez saber que este esforço, que disse já ter encontrado consenso entre os Estados-membros, vai levar à adopção de uma decisão de grande relevância durante a 39.ª Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana, que termina hoje na capital etíope.
À margem da 39.ª Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana, o estadista angolano desenvolveu uma intensa agenda diplomática, tendo mantido vários encontros bilaterais com as mais distintas entidades, que se deslocaram à Adis Abeba para participar na Conferência.
Na sexta-feira, 13, o Presidente João Lourenço foi um dos principais oradores da segunda edição da Cimeira Itália-África, uma iniciativa que procura relançar a cooperação entre o país europeu e as nações africanas.
Na ocasião, Giorgia Meloni, Presidente do Conselho de Ministros da Itália e o Presidente João Lourenço, Presidente cessante da União Africana, sublinharam a pertinência de se estruturar um novo paradigma nas relações entre a Itália e África, que abandone, por exemplo, a exportação para a Europa de matérias-primas de África em estado bruto.