Angola defendeu esta segunda-feira, 12, na sede da ONU, em Nova Iorque, a participação inclusiva, igualitária e significativa das mulheres e dos jovens nas iniciativas de consolidação da paz, para incluir as comunidades afectadas e fortalecer os processos de paz em África e no mundo em geral.
Este pronunciamento foi feito pelo Representante Permanente de Angola junto das Nações Unidas, S.E. Embaixador Francisco José da Cruz, durante a reunião da Comissão da Consolidação da Paz que decorreu sob o tema: Avançar Novo Paradigmas para a Consolidação da Paz: Fortalecendo Abordagens Inclusivas e Sustentáveis para a Consolidação da Paz.
Na ocasião, apelou para a integração de estratégias de desenvolvimento sensíveis ao conflito que construam resiliência, fortaleçam as instituições, promovam a equidade e fomentem a confiança para quebrar os ciclos persistentes de violência e instabilidade.
Saudou a adopção simultânea, em Novembro de 2025, de duas resoluções substancialmente idênticas sobre a Revisão da Arquitectura de Consolidação da Paz de 2025 pelo Conselho de Segurança e pela Assembleia Geral, reafirmando o compromisso de longa data da ONU em melhorar a coerência dos esforços de consolidação da paz, com foco na integração, prevenção e melhor coordenação em todo o sistema das Nações Unidas para alcançar uma paz sustentável.
Referiu que Angola tem defendido, consistentemente, que os Estados-Membros devem preservar os seus interesses nacionais, a soberania e a independência, e resolver conflitos e disputas por meios pacíficos, em plena conformidade com a Carta das Nações Unidas, o Direito Internacional e o Direito Internacional Humanitário.
Neste contexto, recordou que em Abril de 2002, o país conseguiu alcançar a Paz e a Reconciliação Nacional após quase três décadas de conflito interno.
Para o efeito, salientou, o Governo de Angola estabeleceu, como ponto de partida, que as questões da Paz e da Reconciliação Nacional deveriam ser abordadas em pleno respeito pela Constituição, pela Ordem Jurídica e pelas Instituições do Estado, bem como pelos Acordos de Paz e pelas Resoluções do Conselho de Segurança da ONU sobre Angola.
Disse que o Governo adoptou também uma estratégia clara e multifacetada e assumiu uma postura firme e empenhada na sua implementação eficaz para sustentar a paz e a reconciliação nacional, inclusão e a estabilidade sociais.
Ao longo da sua intervenção, o Representante Permanente de Angola junto das Nações Unidas avançou algumas recomendações onde se destacam quatro (4) eixos fundamentais, nomeadamente:
1.º Reforçar o princípio da apropriação nacional e da governação inclusiva, tendo em conta que os Estados têm a responsabilidade primordial de prevenir conflitos e abordar as suas causas profundas, principalmente assegurando a inclusão efetiva das comunidades locais, da sociedade civil, das mulheres e dos jovens nos processos de paz e reconciliação;
2.º Defender um maior envolvimento das partes interessadas regionais e internacionais, em plena conformidade com os princípios da subsidiariedade e da complementaridade;
3.º Reformar o Conselho de Segurança para abordar as injustiças históricas, assegurar uma representação justa de África e cumprir eficazmente o seu mandato de manter a paz e a segurança internacionais, reforçando assim a confiança no multilateralismo como forma de enfrentar os desafios comuns;
4.º Reforçar as parcerias estratégicas entre a ONU, a União Africana e as Comunidades Económicas Regionais/Mecanismos Regionais, com base em mandatos claros e recursos previsíveis.
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ANGOLA DEFENDE PARTICIPAÇÃO INCLUSIVA NAS INICIATIVAS DE CONSOLIDAÇÃO DA PAZ MUNDIAL