• DIPLOMATAS REFLECTEM SOBRE O LEGADO DO PRESIDENTE AGOSTINHO NETO


    Nova Iorque, 17 de Setembro de 2026 – Os diplomatas da Missão Permanente de Angola junto das Nações Unidas, em Nova Iorque, reflectiram, nesta quinta-feira, sobre o legado do Primeiro Presidente da República de Angola, Dr. António Agostinho Neto, por ocasião do Dia do Herói Nacional.

    As reflexões incidiram sobre duas importantes dimensões do seu pensamento e acção: a afirmação da soberania de Angola no plano internacional e a valorização da agricultura como factor de desenvolvimento e independência económica.

    Na sua alocução, subordinada ao tema “Presidente Agostinho Neto: Soberania, Multilateralismo e Direito Internacional”, o Representante Permanente de Angola junto das Nações Unidas, Sua Excelência Embaixador Francisco José da Cruz, destacou a dimensão política e internacional do estadista que procurou afirmar Angola como um Estado soberano, respeitado e participante activo na construção de uma nova ordem africana e internacional.

    O Embaixador Francisco José da Cruz sublinhou que a política externa do Presidente Agostinho Neto nasceu da experiência da luta pela autodeterminação, tendo a soberania, a igualdade entre os Estados, a integridade territorial e o direito dos povos à autodeterminação como princípios fundamentais da afirmação internacional do Estado angolano.

    Neste contexto, destacou a admissão de Angola nas Nações Unidas, em 1 de Dezembro de 1976, como um momento determinante para a consolidação da personalidade jurídica e política do país no sistema internacional.

    Segundo o Representante Permanente, para o Presidente Agostinho Neto, a independência política exigia igualmente uma soberania diplomática. Num mundo marcado pelas divisões da Guerra Fria, Angola procurou defender a sua independência e, simultaneamente, diversificar os seus interlocutores e estabelecer relações com países de diferentes orientações políticas.

    Destacou igualmente a dimensão africana dessa visão, expressa na procura do diálogo e de soluções diplomáticas para as tensões regionais, bem como na solidariedade de Angola com os povos que lutavam contra o colonialismo, a ocupação estrangeira e o apartheid na África Austral.

    O Embaixador Francisco José da Cruz salientou que estes princípios mantêm particular actualidade, reafirmando a importância do diálogo, da diplomacia, do Direito Internacional e do multilateralismo na procura de soluções para os desafios internacionais.

    **“VOLTEMOS AOS NOSSOS CAMPOS PARA O AUMENTO DA PRODUÇÃO AGRÍCOLA”
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    Por sua vez, o Primeiro-Secretário Ivo Rubio proferiu uma palestra sobre o lema escolhido para assinalar o 104.º aniversário do Presidente António Agostinho Neto – “Voltemos aos nossos campos para o aumento da produção agrícola”.

    Na sua intervenção, sob o tema “Agricultura, Desenvolvimento Sustentável e Prosperidade: O contributo de Angola para a Agenda 2030”, o diplomata destacou a actualidade desta mensagem e a importância da agricultura enquanto instrumento de soberania, inclusão social, diversificação económica e transformação do país.

    Segundo Ivo Rubio, voltar aos campos, no contexto actual, significa valorizar os produtores e criar condições para que as famílias rurais possam viver com dignidade, mediante um maior acesso à água, energia, infra-estruturas, conhecimento, tecnologia, financiamento e mercados.

    Realçou que Angola dispõe de importantes recursos para desenvolver uma agricultura moderna, produtiva e sustentável, mas que o verdadeiro potencial agrícola deve ser medido pela capacidade de transformar esses recursos em alimentos, rendimento, emprego e matérias-primas para a indústria nacional.

    Neste sentido, considerou que a agricultura deve assumir um papel central na diversificação económica de Angola e na implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, contribuindo para a redução da pobreza, o combate à fome, a criação de emprego e o reforço da resiliência das comunidades.

    O Primeiro-Secretário recordou a apresentação, em Julho de 2025, do Segundo Relatório Nacional Voluntário de Angola sobre a implementação da Agenda 2030, destacando igualmente a articulação entre a Agenda 2030, a Estratégia Angola 2050 e o Plano de Desenvolvimento Nacional 2023–2027.

    No domínio agrícola, referiu os esforços para aumentar a produção e a produtividade, desenvolver as cadeias de valor e fortalecer a agricultura familiar, as cooperativas e a participação do sector privado, destacando programas como o PLANAGRÃO, o PLANAPECUÁRIA e o PLANAPESCA.

    Ivo Rubio enfatizou ainda que não basta produzir mais: é necessário conservar, transformar, transportar e comercializar a produção nacional, acrescentando valor e criando riqueza e emprego no país.

    Ao concluir, destacou a relação entre soberania alimentar e independência, defendendo que o desenvolvimento da capacidade produtiva nacional permite reduzir vulnerabilidades e criar melhores condições para um futuro sustentável e próspero.

    “Ao honrarmos a memória do Presidente António Agostinho Neto, façamos do seu apelo uma responsabilidade do presente e um compromisso com o futuro. Que voltemos aos campos com conhecimento, tecnologia, financiamento e visão estratégica.”

    As intervenções evidenciaram, assim, a actualidade do legado do Presidente Agostinho Neto, assente na defesa da soberania nacional, no multilateralismo, no Direito Internacional e na valorização da capacidade produtiva de Angola como instrumento de desenvolvimento e prosperidade.

    O programa contou igualmente com um momento cultural, marcado pelo recital do poema “Havemos de Voltar”, de António Agostinho Neto, evocando a dimensão poética e humanista do Primeiro Presidente da República de Angola.