• Diplomata considera admissão de Angola na ONU momento de afirmação da soberania


    Nova Iorque (Do enviado especial) - A admissão de Angola na ONU, a 1 de Dezembro de 1976, constituiu um momento decisivo para a afirmação internacional da soberania do Estado angolano e a sua plena integração no concerto das nações.

    Esta constatação é do representante permanente de Angola junto das Nações Unidas, Francisco da Cruz, quando falava à imprensa angolana, esta terça-feira, em Nova Iorque, no lançamento das celebrações dos 50 anos da entrada do país na ONU, pouco mais de um ano depois da proclamação da independência nacional.

    De acordo o diplomata, ao longo destas cinco décadas, Angola passou de um Estado recém- independente empenhado na consolidação da sua independência e da sua soberania para um país que participa activamente do sistema multilateral e procura contribuir para a paz a estabilidade o diálogo e o desenvolvimento, particularmente de África.

    Destacou a presença de Angola no Conselho de Segurança nos períodos de 2002- 2003 e 2015, 2016, em que “emprestou a sua experiência enquanto país que passou por um período de conflito e soube encontrar formas de criar um ambiente de unidade nacional de estabilidade, uma experiência que continua a partilhar, sobretudo em África, na questão de prevenção, gestão e resolução de conflitos.

    Realçou que Angola tem estado muito activa nas questões ligadas ao desenvolvimento, tentando contribuir para que haja as reformas necessárias a nível da governação global, para que os países, sobretudo do Sul Global, possam ter acesso a financiamentos em termos mais acessíveis, para promover o seu desenvolvimento, que possa rever a questão da dívida.

    Ressaltou igualmente a presença do país no e Conselho dos Direitos Humanos e a participação activa nas questões ligadas às alterações climáticas, cujo efeitos se fazem sentir sobretudo na parte Sul, com a questão da seca.
    Durante o encontro com os jornalistas, o embaixador defendeu a reforma das Nações Unidas, principalmente do Conselho de Segurança, para que a África tenha membros permanentes neste órgão.

    Em relação a um regresso de Angola ao Conselho de Segurança, disse que dada a sua trajectória e experiência, bem como as responsabilidades a nível do continente e o que tem feito para a prevenção , gestão e mediação de conflitos, o país tem que marcar uma presença periódica nesse órgão.
    “Estamos a trabalhar nesse sentido, tendo em conta o sistema de rotação que existe a nível do continente”, frisou.
    Relativamente à eleição do próximo secretário-geral, disse que deve ser uma pessoa muito comprometida com a Carta das Nações Unidas, com o multiralismo e o direito internacional, que compreenda as posições de África, sobretudo no que diz respeito à reforma do Conselho de Segurança, e atento às questões de desenvolvimento no que diz respeito ao Sul Global.
    Sobre as comemorações dos 50 anos de Angola na ONU, afirmou que se pretende recordar o percurso realizado, reconhecer o contributo das diferentes gerações da diplomacia angolana e sobretudo olhar para o futuro da presença da Angola nas Nações Unidas.
    “As celebrações constituirão igualmente uma oportunidade para reafirmar o compromisso de Angola com a Carta das Nações Unidas o direito internacional, o multilateralismo, a solução pacífica dos conflitos e a cooperação entre os Estados”, afirmou .
    Acrescentou que a mensagem que orientará as actividades será celebrar o passado, valorizar o percurso realizado e projectar os próximos 50 anos da presença da Angola no sistema multilateral.
    O embaixador frisou que o programa foi concebido em torno de cinco objectivos principais, designadamente, celebrar 50 anos da presença da Angola nas Nações Unidas, valorizar o percurso diplomático do país e o seu contributo para a paz e a estabilidade, bem como reafirmar o compromisso com os princípios da Carta das Nações Unidas.
    Outro eixo é apresentar a visão da Angola sobre o futuro do multilateralismo e da governação internacional e reforçar a visibilidade internacional do país e a sua capacidade de participação e influência no sistema multilateral. “As comemorações combinarão diplomacia política, diplomacia pública e diplomacia cultural, permitindo também apresentar à comunidade internacional a história, a cultura, a identidade e as transformações de Angola”, sublinhou.
    Disse que o mais importante será a sessão comemorativa que reunir dirigentes das Nações Unidas, representantes dos Estadosmembros, responsáveis angolanos, diplomatas e antigos representantes permanentes de Angola, parceiros constitucionais, académicos, membros da comunidade angana e outros convidados.
    Personalidades ligadas à história das relações entre a Angola e as Nações Unidas e convidados especiais também farão parte do evento, segundo Francisco da Cruz, frisando que será simultaneamente um momento de memória, reconhecimento e reflexão sobre o futuro, de acordo com o embaixador.
    Nessa sessão, disse, o ministro das Relações Exteriores, Téte António, fará uma intervenção em que abordará os momentos do percurso da Angola, incluindo o significado da admissão do país nas Nações Unidas, a consolidação da soberania nacional, a contribuição da Angola para a transformação política da África Austral, a paz e a reconciliação nacional.
    Salientou o ministro também vai falar da participação de Angola no Conselho de Segurança, a prevenção e mediação de conflitos, a defesa da Carta das Nações Unidas e do direito internacional, a reforma da governação global, a representação de África nas instituições internacionais, o desenvolvimento sustentável, os desafios actuais do sistema internacional e a visão do país para os próximos 50 anos.
    Disse que o evento contará com uma selecção representativa da gastronomia angolana, música e elementos visuais que permitirão apresentar aspectos da diversidade cultural nacional, bem a divulgação de imagens de alguns destinos e paisagens de Angola e uma exposição histórica de fotografias, documentos, discursos, vídeos e outros materiais de arquivo reflectindo os principais períodos da relação entre Angola e as Nações Unidas.
    De acordo com o diplomata, as celebrações vão igualmente abarcar a publicação de um livro intitulado Angola nas Nações Unidas - 50 anos de multilateralismo, 1976-2026, e incluindo uma homenagem póstuma a antigos ministros das Relações Exteriores e outras personalidades que marcaram a história da diplomacia angolana.