• ANGOLA DEFENDE VALORIZAÇÃO DOS ACTIVOS ESTRATÉGICOS DE ÁFRICA E REFORÇO DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL


    Nova Iorque, 12 de Outubro de 2026 — O Representante Permanente de Angola junto das Nações Unidas, Sua Excelência o Embaixador Francisco José da Cruz, defendeu, esta segunda-feira, na sede da ONU, o reforço do financiamento ao desenvolvimento, a valorização dos activos estratégicos africanos e o fortalecimento das instituições nacionais para promover a paz duradoura, a integração regional e o desenvolvimento sustentável em África.

    O diplomata interveio no debate conjunto da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre o desenvolvimento de África, ocasião em que reafirmou o compromisso de Angola com a implementação da Agenda 2063 da União Africana e da Agenda 2030 das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável.

    Na sua intervenção, sublinhou a importância da liderança africana, de instituições eficazes e de parcerias estratégicas alinhadas com as prioridades do continente.

    Por ocasião do 25.º aniversário da Nova Parceria para o Desenvolvimento de África (NEPAD), o Embaixador Francisco José da Cruz destacou a necessidade de reforçar a capacidade dos Estados africanos para gerir os seus activos estratégicos, reter o valor económico gerado pelos recursos nacionais e canalizar as receitas para investimentos que promovam o bem-estar das populações.

    Reiterou, igualmente, o apoio de Angola a um financiamento previsível e sustentável da Agência de Desenvolvimento da União Africana (AUDA-NEPAD), incluindo através de contribuições africanas e de parcerias internacionais alinhadas com as prioridades continentais.

    No domínio da integração regional, destacou o Corredor do Lobito como um exemplo concreto de promoção da conectividade, do desenvolvimento de cadeias de valor regionais, da industrialização e da implementação da Zona de Comércio Livre Continental Africana.

    O diplomata salientou ainda que a paz e o desenvolvimento sustentável são dimensões interdependentes, defendendo o reforço da mobilização de recursos internos, o combate aos fluxos financeiros ilícitos e a promoção de uma governação transparente e inclusiva dos recursos fundiários, minerais e hídricos.

    Apelou ao aumento do financiamento ao desenvolvimento e do investimento em infra-estruturas, de modo a assegurar que as receitas provenientes dos recursos estratégicos contribuam efectivamente para a educação, a saúde e a criação de emprego, com particular atenção às mulheres e aos jovens.

    Ao concluir a sua intervenção, o Embaixador Francisco José da Cruz reafirmou que a transformação económica e social de África exige soluções lideradas pelos próprios africanos, instituições nacionais robustas e uma cooperação internacional sustentada, capazes de converter os recursos estratégicos do continente em prosperidade partilhada e paz duradoura.
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    REITERADO COMPROMISSO COM O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL**

    Ainda no decurso dos trabalhos da Assembleia Geral das Nações Unidas, o Representante Permanente de Angola reafirmou o compromisso do país com a implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, defendendo o reforço do financiamento internacional, a transferência de tecnologia e o investimento em infra-estruturas resilientes como prioridades para acelerar o cumprimento dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

    Na ocasião, destacou que este deve traduzir-se em resultados concretos na vida das populações, nomeadamente através do reforço da segurança alimentar, do acesso fiável à água e à energia, da promoção do emprego digno e da criação de oportunidades económicas inclusivas.

    Enfatizou a importância de promover padrões sustentáveis de consumo e produção, mediante a utilização eficiente dos recursos naturais, a redução das perdas alimentares, o desenvolvimento de soluções de economia circular e o fortalecimento das cadeias de valor locais, contribuindo para a industrialização e a diversificação económica.

    No contexto nacional, o Embaixador Francisco José da Cruz destacou projectos estruturantes, como o Canal do Cafu e os projectos de abastecimento de água de Ndúe e Calucuve, que contribuem para o reforço da segurança hídrica, da resiliência agrícola e da melhoria das condições de vida das comunidades.

    Foram igualmente salientados os investimentos em energia hidroeléctrica e solar, importantes para ampliar o acesso à energia, promover a sustentabilidade ambiental e impulsionar o desenvolvimento económico.

    Advogou ainda o reforço das parcerias internacionais, com particular incidência no acesso a financiamento previsível e em condições concessionais, na capacitação técnica, na transferência de tecnologia e na adaptação às alterações climáticas, salvaguardando a sustentabilidade da dívida dos países em desenvolvimento.

    O Embaixador reconheceu a importância do Pacto para o Futuro e do Compromisso de Sevilha na mobilização de esforços e recursos para a concretização das prioridades globais de desenvolvimento.

    Por fim, reiterou que, a quatro anos do horizonte de 2030, é fundamental transformar os compromissos internacionais em resultados mensuráveis, através de parcerias concretas que promovam o crescimento inclusivo, a sustentabilidade ambiental e a concretização do princípio de não deixar ninguém para trás