• ANGOLA DEFENDE FIM DO EMBARGO A CUBA E RENOVAÇÃO DO DIÁLOGO COM OS ESTADOS UNIDOS


    Nova Iorque, 27 de Outubro de 2026 — Angola reiterou o seu apelo ao levantamento imediato e incondicional do embargo económico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América a Cuba e defendeu a renovação do diálogo entre os dois países, com vista à normalização progressiva das suas relações.

    A posição foi expressa por Sua Excelência o Embaixador Francisco José da Cruz, Representante Permanente de Angola junto das Nações Unidas, durante o debate da Assembleia Geral sobre a necessidade de pôr fim ao embargo.

    O diplomata manifestou profunda preocupação com as consequências humanitárias e socioeconómicas das restrições, em particular o seu impacto no acesso da população cubana a bens essenciais, medicamentos, energia e tecnologia.

    Sublinhou que o embargo compromete os esforços de Cuba para alcançar os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável e limita o comércio e a cooperação internacionais legítimos.

    O Embaixador Francisco José da Cruz recordou o apelo formulado por Sua Excelência João Manuel Gonçalves Lourenço, Presidente da República, durante o Debate Geral da 81.ª Sessão da Assembleia Geral, ao considerar o embargo desumano, injusto e contrário aos princípios e normas do direito internacional.

    Destacou os laços históricos de solidariedade entre Angola e Cuba, recordando a contribuição cubana para a libertação da África Austral, incluindo os acontecimentos que conduziram aos Acordos de Nova Iorque, à independência da Namíbia e ao desmantelamento do apartheid na África do Sul. Reconheceu também o apoio prestado por Cuba a comunidades africanas nas áreas da saúde, educação e desenvolvimento humano.

    O Representante Permanente de Angola junto das Nações Unidas reafirmou a oposição do país ao embargo e o seu apoio à remoção de Cuba da lista norte-americana de países que patrocinam o terrorismo.

    Neste contexto, incentivou os Estados Unidos e Cuba a retomarem um diálogo directo e construtivo, assente na igualdade soberana, no respeito mútuo e na não interferência.

    Encorajou igualmente os dois países a adoptarem medidas de confiança que facilitem o acesso humanitário e as transacções comerciais legítimas, bem como a identificarem oportunidades de cooperação em áreas como a saúde pública, a educação, a energia, a preparação para desastres e o desenvolvimento sustentável.

    Ao anunciar que Angola votará a favor do projecto de resolução sobre o fim do embargo, o Embaixador reafirmou a convicção de que o diálogo e o compromisso político são instrumentos essenciais para superar divergências e promover a coexistência pacífica.