• ANGOLA APONTA PRIORIDADES PARA REFORÇAR O COMBATE AO TERRORISMO INTERNACIONAL


    Nova Iorque, 7 de Outubro de 2026 – Angola defendeu, esta terça-feira, 6, na sede das Nações Unidas, a necessidade de uma *resposta internacional mais coordenada, abrangente e sustentável ao terrorismo*, alertando para a expansão e crescente sofisticação das redes terroristas no continente africano.

    A posição foi expressa pelo Representante Permanente de Angola junto das Nações Unidas, *Sua Excelência Embaixador Francisco José da Cruz*, durante o debate da Sexta Comissão da Assembleia Geral, dedicado ao tema “*Medidas para Eliminar o Terrorismo Internacional*”.

    Na sua intervenção, o diplomata angolano reiterou a *condenação inequívoca de Angola ao terrorismo em todas as suas formas e manifestações*, sublinhando que nenhuma consideração política, ideológica, religiosa ou de outra natureza pode justificar actos terroristas.

    O Embaixador Francisco José da Cruz manifestou *preocupação com a expansão das redes terroristas em várias regiões africanas*, particularmente no Sahel, na *Bacia do Lago Chade, no Corno de África, na região dos Grandes Lagos e em partes da África Austral*, destacando as ligações entre o terrorismo, o extremismo violento, o crime organizado transnacional, os fluxos financeiros ilícitos, o tráfico de armas e a exploração ilegal dos recursos naturais.

    Neste contexto, recordou a *16.ª Sessão Extraordinária da Assembleia da União Africana sobre Terrorismo e Alterações Inconstitucionais de Governo*, realizada em Malabo, Guiné Equatorial, a 28 de Maio de 2022, por iniciativa do Presidente da República, *Sua Excelência João Manuel Gonçalves Lourenço*.

    Destacou igualmente a *21.ª Sessão Extraordinária da Assembleia da União Africana*, realizada em Luanda, a 30 de Agosto de 2026, dedicada ao reforço dos mecanismos de prevenção e resolução de conflitos em África.

    Segundo o diplomata, as conclusões de Malabo e Luanda evidenciam a necessidade de privilegiar *a prevenção dos conflitos, o fortalecimento das instituições do Estado e uma maior coordenação regional*, permitindo que África passe da gestão de crises para a prevenção e de respostas fragmentadas para uma acção regional coordenada.

    No quadro da resposta colectiva ao terrorismo internacional, apontou cinco prioridades:
    1. *Reforçar a cooperação operacional entre as Nações Unidas, a União Africana e as Comunidades Económicas Regionais*, particularmente nos domínios da partilha de informações, gestão de fronteiras e capacitação;
    2. *Desmantelar as redes financeiras e logísticas que sustentam o terrorismo*, combatendo o financiamento do terrorismo, os fluxos financeiros ilícitos, o tráfico de armas, o crime organizado e a exploração ilegal dos recursos naturais;
    3. *Colocar a prevenção no centro das estratégias de combate ao terrorismo*, articulando o alerta precoce com a acção precoce, a mediação, a consolidação da paz e o desenvolvimento;
    4. *Reforçar a cooperação contra a utilização indevida das tecnologias emergentes, incluindo a inteligência artificial*, as comunicações encriptadas, as plataformas digitais e as novas tecnologias financeiras, paralelamente ao reforço da capacitação dos países em desenvolvimento;
    5. *Garantir apoio previsível e sustentável aos Estados africanos* que enfrentam o terrorismo, reforçando as suas capacidades de prevenção e resposta.
    A propósito desta última prioridade, o Representante Permanente de Angola junto das Nações Unidas reiterou o *apoio de Angola ao reforço da cooperação entre as Nações Unidas e a União Africana*, bem como à implementação efectiva da Resolução 2719 (2023) do Conselho de Segurança, em apoio às operações de manutenção da paz lideradas por África, quando aplicável e devidamente autorizadas.

    Defendeu igualmente a conclusão das negociações sobre a Convenção Abrangente sobre o Terrorismo Internacional, apelando aos Estados-Membros para que demonstrem a vontade política necessária para ultrapassar as divergências pendentes e fortalecer o quadro jurídico internacional de combate ao terrorismo.

    Sublinhou, por outro lado, que todas as medidas antiterroristas devem respeitar integralmente a Carta das Nações Unidas, o direito internacional, o direito internacional dos direitos humanos e, quando aplicável, o direito internacional humanitário.

    Ao concluir a sua intervenção, o Embaixador Francisco José da Cruz reafirmou que o combate ao terrorismo não pode limitar-se às respostas de segurança, devendo ser acompanhado pelo *reforço das instituições, pela educação, pelo emprego, pela inclusão social e pelo desenvolvimento*.